Textos


E eles deixaram...

Só na foz do rio 
é que se ouvem os 
murmurios 
de todas as fontes.

(Guimarães Rosa)






Havia um povo aqui

A memória cultural é um tipo de memória que sobrevive ao tempo, 
que transcende ao tempo de vida do individuo. Existiu antes de mim 
e existirá depois de mim. Como essa memória existe por um longo tempo, 
os mortos podem se comunicar com os vivos 
e os vivos podem se comunicar 
com as próximas gerações
(Aleida Assmann, 2013)

Apresentação

Olhares Nômades utiliza a linguagem das artes plásticas e audiovisual para compor suas criações. As pinturas e gravuras seguem o gênero figurativo, através de composições criadas a partir de registros antigos e atuais de diferentes regiões do País. Olhares Nômades inicia seus trabalhos em 2016 na cidade de Ouro Preto-MG. Em 2018 monta seu ateliê na cidade de Santarem-PA. Em 2019 realiza a exposição de pinturas a óleo sobre tela com o título “As margens do Tapajós”. No mesmo ano participa do Festival de Cinema de Alter do Chão, com o documentário “Cordões de Pássaros de Carariacá” que aborda a cultura popular dos Cordões de Pássaros na região de Santarém. Em 2020 participa da exposição coletiva “Remando pela Amazônia”, no Centro Cultural João Fona na cidade de Santarém.

 A exposição “As margens do Tapajós”, apresentou pinturas de paisagens típicas da região da foz do rio Tapajós. Nessa exposição, a representação do rio simbolizava a existência humana e o seu curso com a sucessão dos desejos, dos sentimentos, das intenções e as possibilidades de seus desvios. O ir e vir dos barcos, catraias e canoas, representou como um manifesto dos fenômenos humanos e sociais, da interação da natureza e da cultura, do econômico e do simbólico, do corpo e do espírito, da complexidade de uma realidade que convida a articular as experiências das diferentes manifestações dos seres humanos e seu tempo.

Já para a construção das xilogravuras, um dos focos da pesquisa é exploração da produção imagética da fauna , flora, animais e da arte rupestre encontrada em diferentes regiões do Brasil. É comum encontrar às margens dos rios e montanha pelo País, imagens e paisagens de extrema complexidade, assim como pinturas rupestres e gravuras encontradas em diferentes regiões. As composições e re-produções de imagens para a técnica da xilogravura pode ser compreendida como um resgate imagético e iconográfico dessas criações. 


Sobre a Xilo-gravura
A preocupação do ser humano em transmitir uma mensagem por meio da matéria acompanha as transformações do ser humano desde os primórdios dos primeiros registros nas cavernas, passando pela arte rupestre temos os registros do período Paleolítico superior (antes de 10000 a.C.), seguindo do Neolítico, e em Altamira, Espanha (30000 a.C./12000 a.C.). São imagens de cavalos, bisões e outros animais que indicam uma arte ritual. Temos mais adiante a Antiguidade Oriental, que vai de 4000 a.C. a 331 a.C. Seguindo da Arte Grega e Romana de 700 a.C. a 1a.C. A pintura representava um veículo de registro de suas passagens e foi uma das principais formas de significação dos povos desses tempos, até nossos dias.

        As primeiras inscrições gravadas determinaram as bases de algumas técnicas de gravação usadas até os dias atuais. Uma dessas técnicas de gravação é a xilogravura. A técnica consiste em preparar e entalhar a madeira com ferramentas específicas de corte, como goivas e formões, as quais realizam o corte na madeira. Posteriormente a madeira recebe uma tinta, aplicada com um rolo de borracha, carregando a madeira de tinta apenas no relevo, o qual será impresso para o papel. Não se sabe quando essa técnica começou a ser usada, os primeiros registro feitos em papel são de origem Chinesa, no ano de 868. 
A técnica da xilogravura difundiu-se no Brasil com a tipografia, no início do século XIX, sendo largamente utilizada nas ilustrações de jornais, livros e revistas, através da confecção de letras, ornatos, ilustrações e rótulos.       
A xilogravura foi – e segue sendo - adotada como uma solução das gráficas populares, na medida em que sua produção não necessita de muito investimento, permitindo a reprodução de muitas imagens com uma só matriz. Dessa forma, a técnica da xilogravura se popularizou e ganhou vários adeptos no Nordeste do Brasil, tendo sua história intimamente ligada à da literatura de cordel. Os poetas cordelistas definem o cordel como gênero literário constituído de métrica, rima e oração. Esses componentes, agregado as ilustrações das histórias, tradicionalmente estampados através da xilogravura, fazem parte da cultura do país, reconhecimento que levou o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) a conceder o título de Patrimônio Cultural Imaterial em 2018.
Em um mundo onde as tecnologias emergem dentro de nossas vivências e experiências cotidianas, retomar um processo relegado ao passado, como é o caso da xilogravura, possibilita construirmos um diferencial de nosso patrimônio artístico e cultural, e preservá-lo para que as futuras gerações se beneficiem e se apropriem de suas singularidades e riquezas de nossa herança cultural.

Pesquisa prática, clique aqui




Sobre as pinturas


 Amazon Star - Pintura a óleo sobre tela/ 50X70 - Marcelo Fernando. Julho2020

História da pintura no Brasil

A história da pintura no Brasil teve seus primórdios durante a colonização, geralmente sempre vinculado às instituições religiosas, segundo Levy (1949, p. 251) “o retrato desta época constitui, ao lado da pintura religiosa decorativa, a parte mais numerosa do patrimônio artístico brasileiro do período colonial”. Em seu ensaio intitulado A Pintura Colonial em Minas Gerais, Rodrigo Mello Franco de Andrade, faz um estudo sobre as origens das pinturas em Minas Gerais, e considera o desenvolvimento da pintura brasileira do período colonial independente da evolução da arquitetura no país da época. O autor afirma,

“com os escassos elementos disponíveis, pode-se informar, todavia, que as primeiras obras pictóricas de significação em Minas Gerais (como, de resto, em todo o Brasil) foram executadas para decoração de igrejas e edifícios públicos, com emprego do óleo ou tempera sobre madeira, em forma de painéis retangulares no revestimento das paredes e obedecendo, nos tetos, a forma de painéis dos forros de armação.” (ANDRADE. 1978, p. 14)


A partir de meados do século XIX, vários fatores são fundamentais para a produção de imagens no Brasil, uma delas foi à missão artística em 1816, após a chegada da Corte Portuguesa, segundo Eliane Dias,


“foi somente após a chegada da Corte Portuguesa em 1808 e, principalmente, da Missão Artística em 1816, que a produção de retratos escapou definitivamente da primazia religiosa. Acentuou-se a produção de retratos de figuras ilustres da política da corte, constatando-se, assim, o desenvolvimento da retratística voltada ao âmbito oficial. Neste gênero, no final do século XVIII e nos primeiros anos do século XIX, destacaram-se artistas como José Leandro de Carvalho, Leandro Joaquim, Francisco Pedro do Amaral e Simplício Rodrigues de Sá, cujas produções já se destacavam antes da chegada dos pintores franceses.

Neste período não havia o ensino do desenho e pintura no Brasil, vindo a se concretizar dez anos mais tarde com a Academia de Belas Artes em 1826, trazendo também a difusão do neoclassicismo no Brasil.

O movimento cultural Neoclássico Europeu do século XVIII e parte do século XIX, defendia a retomada dos modelos antigos de criação, principalmente as grego-romanas, pelo seu formalismo na composição, geometria e harmonia das cores. Os temas das pinturas geralmente abordam assuntos históricos, alegorias, mitologias e retratos. Valorizavam o traço linear e o tratamento da luz, criado uma composição quase teatral. 
Pesquisa completa em: https://artdorestauro.blogspot.com/p/papel.html




Pintura a óleo




A tinta a óleo é constituída a base de óleo de papoula ou linhaça. Sua história é conhecida por pintores do século XIV, mas somente a partir do século XVI passou a ser popularizada, permanecendo como técnica padrão para pintura de cavalete. A principal revolução da pintura a partir da tinta a óleo foi o emprego de uma substância secativa, segundo Mayer (1996, p.181) “alguns óleo vegetais possuem propriedade de secar formando películas fortes e adesivas, ou por si próprias ou quando auxiliados pela ação de ingredientes adicionais”. As desvantagens é o escurecimento da camada com o tempo e o craquele que a tinta apresenta de acordo com seu envelhecimento. As cores da tinta a óleo são feitas misturando o óleo e pigmento seco. Segundo Mayer


“quando a tinta a óleo seca, passa por mudanças que são o resultado de reações químicas e físicas entre os pigmentos e o óleo, bem como por mudanças introduzidas pela oxidação do óleo. O efeito total dessas reações complexas e inter-relacionadas varia para cada pigmento. Entre as propriedades da tinta que são influenciadas pelo pigmento a um grau variável estão a consistência, a velocidade de secagem e extensão da oxidação, além da flexibilidade, dureza, durabilidade e estabilidade da cor da película de tinta resultante.” (MAYER, 1996, p.196)


Após um longo período de predomínio da pintura a têmpera e do afresco, a tinta a óleo começou a ser praticada por volta de 1420. Antes deste período os artistas não divulgavam o segredo e o mistério alquímico dos aglutinantes e dos pigmentos, até nos dias de hoje temos uma ideia vaga dos materiais e métodos aplicados. Para Mayer,


“um tempo considerado separava esses escritores da épocas em questão, e ainda que muita coisa de valor tenha sido aprendida com eles, seus textos também contém muitos componentes lendários, vagos e incorretos; alguns processos são descritos precisamente de acordo com métodos que sobreviveram ou se desenvolveram segundo diretrizes semelhantes até os dias de hoje, ao passo que outras afirmações constituem as mais estranhas fantasias.” (MAYER, 1996, p.17)


Muitos historiadores de arte atribuem como sendo o monge alemão Teófilo, o primeiro a descrever num tratado sobre Artes Medievais durante o século XII. Segundo Mayer (1996, p.18) “as principais fontes literárias que mencionam materiais e métodos de pintura do período clássico e sobre as quais pesquisadores basearam muitas de suas deduções são Vitrúvio e Plínio, com relatos menores de Teofrasto e Dioscorides”. 


Após séculos de experimentos, no final do século XIV a introdução de catalisadores conseguiu acelerar a secagem da tinta a óleo, em suas pesquisas Mayer nos relata que “as propriedades do óleo de linhaça, de papoula, de nozes, ou de sementes de cânhamo eram conhecidas por alguns dos autores mais antigos”. A partir do uso da tinta óleo já se tinha o poder de matização das cores e a possibilidade de efeitos de tridimensionalidade, características que a tinta a têmpera não permitia.


A partir do século XIX como consequência da revolução industrial, as técnicas da pintura passaram por diferentes mudanças, uma delas contando com o desenvolvimento da indústria de tinta a óleo, as pesquisas químicas introduziram novos pigmentos, definindo novos seguimentos na trajetória da pintura. 
Este texto faz parte de uma pesquisa realizada em 2016. Pesquisa completa em: https://artdorestauro.blogspot.com/p/papel.html






Composições das xilogravuras

A região amazônica está no centro dos debates atuais, por questões relacionadas ao meio ambiente e à importância da preservação da floresta e dos rios tendo em vista a influência desse ecossistema nas questões climáticas do mundo. Os veículos de comunicação pouco apresentam a rica diversidade cultural que existe na região. Junto com o lado do mítico, do folclore e das lendas amazônicas, há também uma produção científica, tecnológica, industrial e cultural de grande importância para o país. 

No baixo Amazonas, no Oeste do estado do Pará, a cidade de Santarém é marcada por um processo histórico que contou com a participação de povos indígenas, europeus e africanos, refletidos nas manifestações culturais e artísticas atuais da cidade. 
A região, berço da antiga civilização tapajônica, possui um rico patrimônio histórico-cultural que carece ainda de estudos aprofundados.
A sofisticação das peças de cerâmica, de suas formas e de suas decorações demonstram civilizações com elevado grau de expressividade e conhecimento estético. Uma das características que chamam atenção na cerâmica tapajônica é a presença de cariátides, figuras humanas e animais que apoiam a parte superior dos vasos.


Vaso de gargalo. Cerâmica Tapajônica. Xilogravura sobre papel. 35x25
Santarém-PA / Abril de 2020

Os vasos de "gargalo" fazem parte de um enorme conjunto em cerâmica da cultura Tapajônica. A  maioria das peças de cerâmicas arqueológicas pesquisadas neste trabalho, foram encontradas na região do baixo Amazonas, Oeste do estado do Pará. 

Segundo a pesquisadora Adélia Rodrigues “a conquista da tecnologia da fabricação da cerâmica pré-histórica, representou um importante passo para muitos povos da Amazônia”, sendo que “com o domínio da técnica de modelagem da argila, novos objetos foram incorporados ao dia-a-dia dos indígenas, seja de uso cotidiano ou ritual”.

Interessante observar, que grande parte das figuras apresentam formas de comunicação gráfica e sistema de apresentação social e ritualísticas, algumas delas identificáveis e reconhecidas, outras podem indicar o modo de viver desses povos, nos levando a refletir sobre cenas do cotidiano, rituais religiosos e suas diferentes formas de organizações sociais.

        Em seu artigo “Para além de Santarém: os vasos de gargalo na bacia do rio Trombetas” o pesquisador Marcony Lopes Alves mostra que boa parte das peças cerâmicas encontradas nas margens da região do baixo Amazonas estão em outras instituições e coleções particulares fora do Estado do Pará e também em outros países. O que torna difícil, para o público em geral, conhecer essas peças. 

Na bacia do rio Xingu encontra-se rochas com gravuras de imagens de difícil entendimento. Algumas características deste painel, por exemplo, se assemelham a letras, a animais, a figuras antropomorfas, astronômica, apresentando um entrelaçamento de diversos elementos de extrema complexidade.

 

Itamaracá. Petrogravura. Rio Xingu
Xilogravura sobre papel artesanal Caraguatá - 21x33
Santarém-PA - Agosto/2020


Itamaracá. Vídeo-gravura. 30 segundos. s/cortes


As margens do rio Araguaia, em torno de 300 km de Marabá-PA, encontram-se este painel com aproximadamente 5x3m. Na região, encontra mais de 600 figuras gravadas nas pedras, podendo seus sulcos atingir até 3 centímetros de profundidade, muitos desenhos apresentam características astronômicas, antropomorfas e outras imagens não classificadas por pesquisadores da área.


São Geraldo do Araguaia
Xilogravura sobre papel artesanal Caraguatá - 21x33
Santarém-PA - Agosto/2020

Entalhe da matriz São Geraldo do Araguaia

Na sequência temos o trabalho de vídeo-gravuras, que se resume a uma compilação de diferentes fases do processo de criação da xilogravura Itamaracá. São fotografias das etapas de tratamento da madeira, desenho, corte e entalhe. Preparação da tinta, entitamento da matriz e transferência manual para o papel.


Vídeo-gravura. 22 segundos. Itamaracá 


Realizar a composição das imagens, pensar no suporte e registro do processo de criação, organizar e manter as ferramentas, o cotidiano do ateliê exige uma certa disciplina pras coisas não desandarem. Refletindo sobre estas questões, temos como resultado a transformação da percepção visual em uma forma material. Dentro dessa linha, temos a seguir uma tentativa de esboçar esta ideia, as imagens seguem a seguinte sequência: foto do original, em seguida vem a matriz da xilogravura e por fim a impressão manual da gravura.



Estatueta de figura feminina

Descrição da peça original: material de cerâmica; alt. 14 cm e larg. 10 cm; Coleção: Frederico Barata, 1959. Data: Entre os anos 1000 a 1400 A.D.  Acervo: Museu Paraense Emílio Goeldi, PA.


 Vaso de gargalo
     
Descrição da peça original: vaso de gargalo com apliques zoomorfos. Material: Cerâmica, alt. 18,9 cm e larg. 31 cm. Restaurado. Coleção: Frederico Barata, 1959. Data: Entre os anos 1000 a 1400 A.D. Acervo: Museu Paraense Emílio Goeldi, PA.


          Estatueta antropomorfa
        
      

         Vaso de cariátides

Vídeo-gravura. s/edição. 10 segundos. MaraTapajônica - Xilogravura - 22x33cm

Experimento de gravura utilizando duas matrizes. A primeira, com a cor clara, é baseada em grafismos marajoara, e a gravura em primeiro plano é um vaso de Cariátide.


Amazônida     
        

Amazônida - 2020








           

Suporte de papel

Grande parte do acervo documental e bibliográfico da humanidade encontra-se, em sua maioria, em suporte de papel. O papel é um material sensível à degradação, levando em conta diferentes fatores, a sua degradação mais comum é a acidificação da celulose da qual é composto. Na busca de entender tais processos, essa parte da pesquisa foi desenvolvida no ano de 2016, e retrabalhada no contexto desta página, já que o papel é um dos principais suportes para a produção da xilogravura.


No percurso da história, foram diversos os suportes para o registro da informação, desde as pinturas rupestres, que são considerados também uma espécie de escrita, passou-se para outros materiais, como a argila, placas de mármore, a madeira, dentre outros. A forma mais próxima do que conhecemos hoje é o papiro, usado no Egito há aproximadamente quatro milênios antes de Cristo, que segundo Viñas:


“el papiro fue uno de los más importantes soportes de la escritura em la civilizaciones antigas: durante el primer milênio antes de cristo y hasta aparición de otros soportes alternativos, fue usado de forma abundante em Roma, em Persia, em la Grécia clássica, em Palestina y em Siria.” (VIÑAS, 2010, p. 35)


Outro suporte utilizado foi o pergaminho. Seu registro é datado três séculos antes de cristo e se estendeu até depois do século XIII, quando deixaram de ser fabricação exclusiva dos mosteiros.


A invenção do papel como conhecemos hoje é creditada aos chineses em 105 d. C., a partir da casca da amoreira, restos de roupa e redes velhas, criou-se o princípio básico que é usado até hoje na fabricação do papel. Os exemplares que chegaram até os nossos dias provam que o papel feito pelos antigos chineses era de alta qualidade, que permite, até mesmo, compará-los ao papel feito atualmente. Os papéis utilizados hoje em nossa vida cotidiana (jornais, cadernos, livros, etc.) são feitos de celulose encontrada nas árvores.


Em seu livro La Restauracióndel Papel, Salvador Viñas coloca a definição mais corrente sobre o papel ao dizer que “el papel como um produto de forma laminar que está compuesto por fibras vegetales sueltas dispuesta de forma aleatória, o por acortar aún más, como uma lámina formada por fibras vegetales sueltas aleatoriamente dispuesta”. (VIÑAS, 2010, p.27)


“em sua composição básica, a fabricação de papel consiste na preparação da pasta, que após o processamento temos a formação do papel. Segundo Viñas (2010, p.28), o processamento da formação do papel “consiste em filtrar la pasta a través de um tamiz, que retiene las fibras y deja passar el agua. Cuando después essas fibras se secan producen la hoja de papel”.


O papel de trapo se popularizou com a descoberta da imprensa no século XV. O papel tem como matéria prima trapos de algodão, linho e outras fibras têxteis, que eram colocados na água até adquirirem uma consistência pastosa. A vantagem do papel de trapo, se comparado ao papel industrializado, é que não possui substâncias ácidas na transformação do tecido em pasta, estando assim, sujeito a maior durabilidade e resistência à acidez.




 Apontamentos acerca da história do livro


A história da evolução do livro se inicia no século II, passando pela Idade Média até as publicações contemporâneas. O livro sempre exerceu influencia na formação do espírito humano e na difusão de ideias e conhecimento. Segundo Chatier:


“manuscritos ou impressos, os livros são objetos cujas formas comandam, se não a imposição de um sentido ao texto que carregam, ao menos os usos de que podem ser investidos e as apropriações as quais são suscetíveis. As obras, os discursos, só existem quando se tornam realidades físicas, inscritas sobre as páginas de um livro, transmitidas por uma voz que lê ou narra, declamadas num palco de teatro. Compreender os princípios que governam a ‘ordem do discurso’ pressupõe decifrar com todo o rigor, aqueles outros que fundamentam os processos de produção, de comunicação e de recepção dos livros (e de outros objetos que veiculem o escrito).” (CHATIER, 1999, p.8)


O autor nos faz perceber que as histórias transpassadas não são casuais, tem-se uma intenção ao se redigir as palavras através da escrita, muita vezes na leitura do todo, este significado se dissolve, ou seja, não o percebemos.

Em seu texto, O Aparecimento do Livro, Lucien Lebvre aponta os primeiros indícios do aparecimento do livro e coloca que,


“ao longo dos sete séculos que decorrem desde a queda do Império Romano até o século XII, foram realmente os mosteiros e, acessoriamente, o conjunto dos outros estabelecimentos eclesiásticos que conservaram o monopólio quase integral da cultura livresca e da produção do livro. Não é menos certo, por outro lado, que a partir do final do século XII interveio uma profunda modificação e que as transformações intelectuais e sociais, traduzidas especialmente pela fundação das universidades e pelo desenvolvimento da instrução entre leigos, ao mesmo tempo em que se formavam uma nova classe burguesa, tiveram repercussões profundas nas condições em que os livros eram compostos, escritos, copiados e difundidos.” (FEBVRE, 1992, p.22)


Os livros produzidos na Europa durante o século XVII chegavam ao Brasil com facilidade, construindo e moldando nossa forma de entendimento da realidade.


Este texto faz parte da pesquisa desenvolvida em 2016. Pesquisa completa em: https://artdorestauro.blogspot.com/p/papel_8.html



Leituras:


CHARTIER, Roger. A ordem dos livros: leitores, autores e bibliotecas na Europa entre os séculos XIV e XVIII. Brasilia: Editora da UnB, 1999.

FEBVRE, Luciem. O aparecimento do livro. São Paulo: Editora Estadual Paulista, 1992.

JEAN, George. A escrita memória dos homens. Tradução de Lídia daMota Amaral: Objetiva, 2002.

LE GOFF, Jaques. História e Memória. Tradução Bernardo Leitão; 5º Ed. Campinas: SP: Editora da Unicamp, 2003.

MACARRÓN MIGUEL, Ana Maria. Historia de la Conservación y la Restauración. Madri: Tecnos. 1997. p. 13. Apud, A Trajetória Histórica da Conservação-restauração de Acervos em Papel no Brasil. Aloisio Arnaldo Nunes. Tese de mestrado, 2008.

VIÑAS, Salvador Muñuz. La Restauracióndel Papel. Ed. Tecnos. Espanha: Madri, 2010.

SABOIA, Lygia. GRAVURA – Histórias, Técnicas e Relações com a Impressão Papel Moeda

ANDRADE, Rodrigo de Mello. A Pintura Colonial em Minas Gerais - Revista IPHAN – n. 18 – 1978. Pesquisado em 25 Julho-2015   http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/RevPat18_m.pdf

BAILÃO, Ana. O Gestaltismo aplicado a reintegração cromática de pintura de cavalete. In: Estudos de Conservação e Restauro. N. 1, 2009

COLI, Jorge. O que é Arte. 15ª ed., Editora Brasiliense, São Paulo, 1995.

DIAS, Eliane. A representação da realeza no Brasil: uma análise dos retratos de D. João VI e D. Pedro I, de Jean-Baptiste Debret. In http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142006000100008#back6 Acessado em Maio/2015

JEAN, George. A escrita memória dos homens. Tradução de Lídia da Mota Amaral: Objetiva, 2002.

FONTANA, David. Linguagem dos Símbolos. Ed. Publifolha. São Paulo: 2012

JEAN, George. A escrita memória dos homens. Tradução de Lídia da Mota Amaral: Objetiva, 2002.

LE GOFF, Jaques. História e Memória. Tradução Bernardo Leitão; 5º Ed. Campinas: SP: Editora da Unicamp, 2003.

JUNIOR, Augusto de Lima. Arte Religiosa. Ed. Instituto de História, letras e arte – Belo Horizonte: 1966

LEVY, H. Retratos coloniaisRevista do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, n. 9, p. 251, 1945. In, http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/RevPat09_m.pdf- pesquisado de 20 de Julho de 2015

MACARRÓN, Miguel. MARIA, Ana. Historia de la Conservación y la Restauración. Madri: Tecnos. 1997. p. 13. Apud, A Trajetória Histórica da Conservação-restauração de Acervos em Papel no Brasil. Aloisio Arnaldo Nunes. Tese de mestrado. 2008

MAYER, Ralph. Manual do artista: de técnicas e materiais. Martins Fontes, São Paulo: 1996.

OLIVEIRA, Myriam Andrade de. A imagem religiosa no BrasilMostra do Redescobrimento/Arte Barroca. São Paulo: Fundação Bienal de São Pau, 37-79, 2000

OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis: Vozes, 2002.

SOMESB - Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia. História da arte. Revista da Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância. Edição 1, Bahia- Ba – 2007. P. 8
SCHENKER, Libia. História da tinta através da arte ocidental. Revista Eletrônica Jovem Museologia, 2008.



A proposta desta página é expor diferentes recortes de textos que envolvem o processo de criação artística, a ideia é explorar as possíveis intersecções entre a linguagem visual e a escrita teórica, através da investigação e experiências plásticas, tendo como foco a pintura, a gravura e seus meios técnicos de produção e criação artística e assim tentar elaborar um discurso que aponte horizontes nas discussões teóricas e em fundamentações de editais de projetos culturais de fomento a produção e criação artística cultural.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog