Crítica

Exposição é tema de crítica de arte produzida por turma de Artes Visuais em Santarém
O artista plástico Marcelo Fernando é paulista e mora em Santarém, onde desenvolve trabalhos artísticos de pintura, xilografia, entre outras técnicas. Em janeiro de 2019, o artista apresentou no Centro Cultural João Fona a exposição “As Margens do Tapajós”, retratando a paisagem da cidade.


As obras chamaram a atenção dos alunos de Artes Visuais do Parfor UFPA em Santarém e a exposição passou a ser o tema de um trabalho desenvolvido pela turma durante a disciplina de Teoria e Critica de Arte, ministrada pelo professor John Fletcher.
"Nossa tentativa foi a de mostrar como ele traz uma poética que pensa a transformação da paisagem santarena, tanto a partir de arquivos de jornais quanto de uma documentação fotográfica da paisagem local, para então fazer a sua proposição no campo das artes visuais", conta o professor Fletcher.
"A metodologia envolveu não somente uma crítica da imagem para que elas (alunas) falassem das relações, tanto com a paisagem local de Santarém, de ontem e hoje, quanto com técnicas e aspectos que são encontrados na história da arte brasileira. Mais especificamente, tivemos uma conexão muito grande com pintores do sudeste, também com o trabalho da Anita Malfati que, de alguma forma, serviram de base para pensar um pouco da estrutura mais referencial da proposta dele", explica o professor.

O trabalho foi desenvolvido a partir de entrevistas da turma com o artista e também teve como objetivo fomentar a visitação dos espaços culturais e das exposições artísticas realizadas em Santarém.


Crítica: o encanto da paisagem santarena e suas transformações através das imagens

Crítica de Arte da turma de Artes Visuais/ Parfor/ UFPA, Polo de Santarém

A arte é um campo aberto que nos dá muitas possibilidades de criação e de interpretação, capaz de nos abrir a uma nova concepção da realidade e tendo o poder de representar ideias que podem expressar o nosso dia a dia, o que inclui a percepção, a imaginação, a sensibilidade, o senso crítico e expressões pessoais, que, por vezes, mexem com nosso inconsciente. 
Na nossa atualidade, mais do que em outras épocas, artistas vêm apresentando ideias para expressar seus sentimentos, pois, estamos rodeados de imagens por onde quer que andemos Nessa perspectiva, tratar da atual exposição do artista Marcelo Fernando, apresentada no Espaço Cultural João Fona, é uma oportunidade de fazer os espectadores observarem as transformações que ocorreram ao longo dos anos na cidade e em seus arredores. 
Este artista visual, natural de Limeira, interior do Estado de São Paulo, começou sua carreira artística criando obras para cinema, audiovisual e documentários, época em que cursava graduação em serviços sociais. Desenvolveu, inclusive, projetos envolvendo crianças, momento este em que seu interesse por outras imagens ganhou maiores contornos. 
No ano de 2012, Marcelo Fernando foi para Ouro Preto, Minas Gerais. Em uma entrevista realizada para a própria turma de Artes Visuais no Espaço Cultural João Fona, Fernando destacou: “Ouro Preto é uma cidade muito imagética, desde a arquitetura, pinturas, esculturas. A criação de arte que se teve ou que ainda se tem lá é muito grande e foi uma enorme influência em minha carreira”. Foi neste período, vale acrescentar, que fez um curso técnico de restauração de obras de artes na Fundação de Artes de Ouro Preto, curso o qual englobava pintura, escultura e técnicas de produção de papel. 
No ano de 2018, o artista veio morar no Estado do Pará, na cidade de Santarém, e foi nesse lugar que deu continuidade a seu trabalho através de pesquisas de campo e começou a desenvolver novas técnicas para enriquecer as opções de representação local. Foi, mais precisamente, no ano de 2019 que elaborou um projeto para uma exposição no Museu João Fona, Às margens do Rio Tapajós, de maneira a explorar as paisagens de Santarém-PA em diferentes períodos históricos, o ontem e o hoje.
Nesta exposição, Fernando apresenta quadros com tintas a óleo sobre tela, xilogravuras e azulejos sublimados. No caso dos azulejos, utiliza rezina sobre eles, papel mesclado com casca de abacaxi e com uma prensa térmica transfere a imagem do papel para o azulejo, de maneira a obter um resultado de profundo impacto para a comunidade de Santarém.

ENTRE O AZULEJO E A TELA, MARCELO FERNANDO E A PAISAGEM SANTARENA



Marcelo Fernando reflete, através de suas pinturas, uma expressão de sensibilidade emocionada aos visitantes. Retrata as paisagens de Santarém em diferentes períodos históricos, com a criação de pinturas baseadas em registros antigos e atuais da região. Segue, desse modo, uma trajetória figurativa influenciada pelo cotidiano das imagens e movimentos que ocorrem às margens do rio Tapajós. O rio, aqui, simboliza a existência humana e o seu curso, com a sucessão dos desejos, dos sentimentos, das intenções e as possibilidades de seus desvios. O correr das águas e a fluidez das formas e das cores das paisagens podem estimular sentimentos, criar identidades, fazer sonhar. A paisagem aparece, assim, como um manifesto dos fenômenos humanos e sociais, da interação da natureza e da cultura, do econômico e do simbólico, do visível e do invisível, do corpo e do espirito, da complexidade de uma realidade que convida a articular as experiências das diferentes manifestações dos seres humanos e de seus tempos. 
Uma das obras que podemos destacar é Busca dos Mastros – Festa do Çairé / Alter. do Chão, de 2018, óleo sobre tela (Figura 02). Nela, Marcelo Fernando ilustra uma das situações que podem ser esquecidas diante da velocidade dos tempos. Busca portanto, recriar um passado-presente, situações de manifestações culturais as quais podem ser vivenciadas através de suas obras, afim de que as futuras gerações tenham acesso e conhecimento aos nossos momentos importantes, componentes de nosso Patrimônio Cultural Imaterial.


Podemos acrescentar que Marcelo Fernando traz diversas influências inspiradas no Modernismo Brasileiro. Dentre elas, destacamos a fase mineira do pintor carioca Alberto da Veiga Guignard, quando este último foi convidado por Juscelino Kubitscheck, o então prefeito de Belo Horizonte, a dar aulas num curso livre de pintura na escola de Belas Artes, também conhecida como Escola do Parque. As pinturas de paisagens com traços líricos do período modernista de Guignard inspiraram Fernando a desenvolver um trabalho de profundo lirismo, destacando certa “fluidez das formas e das cores das paisagens”. 
Outra influência muito cara ao artista aqui em questão vem da expressividade de formas geométricas das construções muito ligadas à produção da paulista de Capivari Tarsila do Amaral. Neste caso, Fernando retrata as formas das construções nas margens do Rio Tapajós por meio da Geometria, desfragmentando a pintura e dando a sensação de movimento muito significativo para se pensar o tempo como grande mola transformadora de nossas sociedades. 
Concluímos que a exposição de Marcelo Fernando trouxe, além das belezas da sua produção, uma simplicidade das formas, baseadas em fotografias antigas e atuais, as quais se encontravam no próprio Espaço Cultural João Fona. Trouxe também, uma reflexão sobre a grande transformação que aconteceu do espaço Tapajós, estimulando assim, o interesse do público em recordar e sentir, com influência de artistas do período Modernista, o tanto que uma obra artística tem valor e significado simbólico. Leva, desse modo, a refletirmos sobre a existência humana e suas ações e impactos no meio em que estamos. Portanto, é importante ressaltar que sua exposição busca atrair públicos de todas as idades e bairros, uma vez que o mesmo utiliza sua arte como forma de demonstrar as belezas existentes no local. Você já visitou a exposição para se encantar com a paisagem Santarena e suas transformações através de imagens?


Link: Crítica: o encanto da paisagem santarena e suas transformações através das imagens





Análise da crítica

por Marcelo Fernando

A exposição “As margens do Tapajós” ocorreu no mês de janeiro de 2019 no Centro Cultural João Fona, na cidade de Santarém. A proposta da exposição foi apresentar uma pesquisa realizada no ano de 2018 que teve como tema o rio Tapajós e seu entorno. Como materialização desta investigação foi realizada seis pinturas a óleo sobre tela, que foram expostas com mais oito reproduções das pinturas, utilizando a técnica de sublimação em azulejos. 

A exposição ficou em cartaz durante três meses, período no qual foram realizadas diversas reportagens pela imprensa local. Um dos trabalhos que chamou a atenção foi a redação de uma crítica de arte sobre a exposição “As margens do Tapajós”, pelos alunos de Artes Visuais do Parfor UFPA em Santarém, como tema da disciplina de Teoria e Crítica de Arte. Segundo a crítica redigida nesse contexto, as pinturas presentes na exposição trazem “uma reflexão sobre a grande transformação que aconteceu do espaço Tapajós, estimulando assim, o interesse do público em recordar e sentir, com influência de artistas do período Modernista, o tanto que uma obra artística tem valor e significado simbólico”. Além disso, “as pinturas retratam as formas das construções nas margens do Rio Tapajós por meio da Geometria, desfragmentando a pintura e dando a sensação de movimento muito significativo para se pensar o tempo como grande mola transformadora de nossas sociedades”.

Esse trabalho da crítica foi realizado a partir de entrevistas da turma com o artista e também teve como objetivo fomentar a visitação dos espaços culturais e das exposições artísticas realizadas na cidade de Santarém. A partir desses pequenos trechos da crítica, buscamos salientar os possíveis e diversos desdobramentos de uma exposição de arte com o foco na região amazônica: o engajamento e participação de uma turma de estudantes de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará, que além de realizar uma investigação científica da exposição, também criaram um artigo e publicaram no jornal e no site da Universidade, gerando, dessa forma, um material de análise crítica de extrema importância e realizado por pesquisadores da região. 




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